Comentário original postado em:
Armando Maynard disse...
Caro Professor, lembro de meu pai a contar que, na década de quarenta, quando morava em uma cidade do interior, só havia um meio para se ter alguma informação e conhecimento: a escola local e seu tradicional ensino. O único meio de se ficar sabendo de alguma notícia com rapidez, era o rádio, que até os nossos dias se mantém como um meio de informação imediatista. Mas, duas dificuldades tiveram que ser superadas, a da aquisição motivada pelo preço e a outra da falta de energia elétrica na cidade. Só ao anoitecer, por meio de um motor, se tinha energia até as 22 horas. Por isso, meu pai teve a idéia, com ajuda de um técnico amigo, de construir um rádio galena, feito de bobina, que não precisava de energia para funcionar. Tempos depois, ele conseguiu adquirir um rádio de válvulas, que funcionava com energia gerada por uma bateria de carro. Foi nesse rádio que ele acompanhou as notícias da segunda guerra mundial. Outro meio de informação era o único cinema da cidade e seu serviço de auto-falante. O Cinema exibia em suas seções, velhos cine-jornais e documentários. Algum tempo depois, parentes e amigos traziam da capital, a revista “O Cruzeiro”. Hoje vivemos a era da informação, com uma profusão de veículos de comunicação, impressos e audiovisuais, todos com conteúdos diversificados, abrangendo cultura, entretenimento e farto noticiário. Podemos escolher entre byte (digital) ou átomo (papel), ou um só meio, que é o computador através da internet, esta ferramenta mágica, inimaginável há poucos anos atrás. Com um simples clique, temos a nossa disposição: uma gráfica, banca de revistas e jornais, biblioteca, fotocópia, fax, correio, rádio, cinema, televisão, telefone, videofone. Só que “tudo demais é sobra” e termina fazendo mal a nossa saúde. Muitos de nós chegamos a ficar ansiosos e angustiados ao vermos uma pilha de jornais, revistas e livros se acumulando em nossa mesa, sem que tenhamos tempo de ler, somados a uma grande quantidade de e-mails, esperando serem respondidos, blogs de serem atualizados e acessados para serem comentados, sites diversos a serem consultados, filmes que vão entrando e saindo dos cinemas e não assistimos, fora os da TV de assinatura e DVDs. Tudo isso termina fazendo com que não tenhamos tempo para pensar, refletir e assimilar o que lemos e vemos, até por ser tudo muito rápido e superficial, sem um conhecimento aprofundado, não se chegando a ter uma idéia formada, com risco de se ficar repetindo a mesma opinião de muitos, sem ter tempo de formar a sua própria. Um abraço, Armando.
Caro Professor, lembro de meu pai a contar que, na década de quarenta, quando morava em uma cidade do interior, só havia um meio para se ter alguma informação e conhecimento: a escola local e seu tradicional ensino. O único meio de se ficar sabendo de alguma notícia com rapidez, era o rádio, que até os nossos dias se mantém como um meio de informação imediatista. Mas, duas dificuldades tiveram que ser superadas, a da aquisição motivada pelo preço e a outra da falta de energia elétrica na cidade. Só ao anoitecer, por meio de um motor, se tinha energia até as 22 horas. Por isso, meu pai teve a idéia, com ajuda de um técnico amigo, de construir um rádio galena, feito de bobina, que não precisava de energia para funcionar. Tempos depois, ele conseguiu adquirir um rádio de válvulas, que funcionava com energia gerada por uma bateria de carro. Foi nesse rádio que ele acompanhou as notícias da segunda guerra mundial. Outro meio de informação era o único cinema da cidade e seu serviço de auto-falante. O Cinema exibia em suas seções, velhos cine-jornais e documentários. Algum tempo depois, parentes e amigos traziam da capital, a revista “O Cruzeiro”. Hoje vivemos a era da informação, com uma profusão de veículos de comunicação, impressos e audiovisuais, todos com conteúdos diversificados, abrangendo cultura, entretenimento e farto noticiário. Podemos escolher entre byte (digital) ou átomo (papel), ou um só meio, que é o computador através da internet, esta ferramenta mágica, inimaginável há poucos anos atrás. Com um simples clique, temos a nossa disposição: uma gráfica, banca de revistas e jornais, biblioteca, fotocópia, fax, correio, rádio, cinema, televisão, telefone, videofone. Só que “tudo demais é sobra” e termina fazendo mal a nossa saúde. Muitos de nós chegamos a ficar ansiosos e angustiados ao vermos uma pilha de jornais, revistas e livros se acumulando em nossa mesa, sem que tenhamos tempo de ler, somados a uma grande quantidade de e-mails, esperando serem respondidos, blogs de serem atualizados e acessados para serem comentados, sites diversos a serem consultados, filmes que vão entrando e saindo dos cinemas e não assistimos, fora os da TV de assinatura e DVDs. Tudo isso termina fazendo com que não tenhamos tempo para pensar, refletir e assimilar o que lemos e vemos, até por ser tudo muito rápido e superficial, sem um conhecimento aprofundado, não se chegando a ter uma idéia formada, com risco de se ficar repetindo a mesma opinião de muitos, sem ter tempo de formar a sua própria. Um abraço, Armando.