quinta-feira, 7 de maio de 2009

Saudades dos Cinemas de Rua de Aracaju-SE.

Comentário original postado em:
Armando Maynard disse...
Caro Marco, que boas lembranças, que saudades dos cinemas de rua da minha cidade, Aracaju, todos transformados em lojas, estacionamentos e bingos. Eram cinemas grandes, com uma quantidade enorme de cadeiras, onde havia toda uma preparação antes de começar a sessão. Eu tinha o hábito de chegar cedo, para ficar ouvindo as músicas orquestradas, que tocavam antes do filme começar. Quando a sessão ia iniciar, havia todo um ritual, tocava a música do prefixo, as luzes da sala iam ficando mais fracas, outras começavam a ser apagadas, ficando somente as luzes do pequeno palco, onde tinha a grande tela cinemascope, coberta por uma cortina. Começavam as badaladas do gongo, juntamente com um jogo de luzes, em três cores, que iam mudando para cada tom, terminando com as luzes vermelhas. Quando as primeiras imagens apareciam na tela, geralmente era o certificado de censura, obrigatório em todo início dos filmes, apagavam-se as luzes vermelhas e a cortina começava a abrir lentamente, algo emocionante. Época de muitos filmes históricos (épicos), os quais faziam grande sucesso, todos considerados espetáculos cinematográficos, muitos com quase quatro horas de duração, como “Ben-Hur”, citado por você, “Doutor Jivago”, “Os Dez Mandamentos”, “El Cid”, “E o Vento Levou... Todos estes filmes tinham uma característica: ao terminar os trailers, acendiam-se as luzes da sala. É que antes do início do filme propriamente dito, tinha a apresentação da música tema, que vinha na película somente com a trilha sonora e os fotogramas escurecidos, e no meio do filme havia outra interrupção, era o intervalo, onde acontecia a mesma coisa, pois ouvia-se a trilha sonora até o término do mesmo. Desses épicos, lembro do filme “Cleópatra” que tem mais de quatro horas de projeção, que assisti em um cinema que não tinha nem ventilador e as cadeiras eram de madeira, mas tinha uma tela cinemascope enorme e côncava. Para rever “Cleópatra” hoje, só na telinha, não é a mesma coisa. Bons tempos hein Marcos, verdadeiras “Antigas Ternuras”, que deixaram muitas saudades, pois nesta época os cinemas tinham identificação e importância, mesmo depois de tanto tempo, quando falamos de um filme logo fazemos a ligação com o cinema onde o assistimos. Hoje praticamente todas as salas de projeção são iguais, não tem mais o ritual de início de sessão, não tem mais cortina, gongo, jogo de luz, música prefixo, tudo é muito apressado, imediato e os cinemas são impessoais, uma pena. Um abraço, Armando.

4 comentários:

Veronica disse...

Oi, Armando, depois de ler você fui conferir o "Antigas Ternuras" e fiquei pensando aqui com meus botões: Tantas pessoas de lugares diferentes e com as mesmas boas recordações. Dentre tantas que me vieram à mente enquanto lia o seu comentário e o post do Marco,os amassos no cinema vieram mais fortes...rs Os garotos observavam os lugares onde nos sentávamos e, ao apagar das luzes, sussurravam : Posso sentar com você? Muitos namoros começaram ali. E a pergunta mais engraçada do dia seguinte, no colégio (porque a turma toda ia ao cinema)era: conseguiu ver o filme? Que tempo bom, com sabor de Mentex!Vou até ver se acho algum pra comprar e sentir o gosto daqueles tempos, novamente.
Abraços.

Marco disse...

Obrigado pelo ótimo comentário, Armando. E especialmente pela cessão das imagens preciosas da Condor Filmes e do Certificado de Censura. E ainda por cima a Verônica, muito simpática, me fez uma visita e deixou um mais que amável comentário. Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Sheherazade disse...

Olá!
Vim agradecer o seu comentário no meu post, mas não pude me furtar a viajar um pouco no tempo, lendo o seu. É incrível como você nos faz reportar aos velhos tempos em que ir ao cinema era um programa de alta qualidade ... Vestíamos as nossas roupas "domingueiras" e os rapazes costumavam usar terno e gravata, porque a solenidade da ocasião assim o exigia. Lembrei, também, das "Atualidades Atlântida", que continha as notícias de destaque da semana. Também aqui em Recife os grandes cinemas, de suntuosas instalações, foram substituídos, em sua maioria, por "igrejas" de duvidosa idoneidade religiosa e, hoje, resumem-se a pequenas saletas localizadas no interior dos shopping centers. Restou-nos a experiência de termos vivido os "anos dourados", além das lembranças inapagáveis que eles nos deixaram.
Obrigada pela visita. Um abraço!

Bill Falcão disse...

Hoje, Armando, só restam os shoppings, tudo igual, e com um agravante: em vez daquele "ritual" que você brilhantemente descreveu, somos atacados por horríveis comerciais de tudo que é tipo, cada um mais barulhento do que o outro.
Aí, só nos resta mesmo a telinha. E as recordações, claro!
Aquele abraço!